Quem somos

Histórico do GEP

Um grupo de pessoas ativas no movimento popular que se uniu no início de 2008 pra resistir à violência do Estado, articulando trabalhos autônomos com educação popular para fortalecer a luta nas comunidades do Rio de Janeiro, Brasil. Começamos a atuar no Morro da Providência, favela (comunidade pobre) localizada bem próxima às ocupações sem-teto autônomas no centro do Rio de Janeiro. Ao pensar um trabalho com educação popular no Morro da Providência, nossa intenção era favorecer a aproximação entre a favela e as ocupações para ajudar a construir espaços de poder popular na área central da cidade. Assim, em Junho de 2008, mês em que foram assassinados três jovens da Providência após terem sido sequestrados e entregues por soldados do Exército a traficantes do Morro da Mineira, iniciamos nosso primeiro trabalho com educação popular: um preparatório para concursos públicos de 1º e 2º grau. Na primeira atividade fora de sala de aula que o GEP organizou na Providência, policiais invadiram o morro e um tiroteio resultou em uma moradora baleada. A constante violência, entretanto, não diminuíu a vontade e força do grupo, que passou desde esta época a lutar contra a violência policial no Morro da Providência. Em 2009 abrimos a primeira turma do Pré-Vestibular Comunitário Machado de Assis, nome eleito por alunos e professores em assembleia. Em 2011, começamos um projeto de Alfabetização de Jovens, Adultas e Adultos do Morro da Providência e também ficamos cada vez mais ativos na luta contra as remoções. A prefeitura planejava desalojar 700 famílias e graças a mobilização feita, através de assembleias e manifestações, cerca de 600 famílias conseguiram resistir e continuar em suas casas.

Tendo muitas professoras e professores do ensino básico dentro do grupo, sobretudo nas escolas estaduais, e acreditando que o debate sobre a educação libertária também deve chegar às escolas, decidimos em 2012 criar mais uma frente de trabalho dentro do GEP, que passou a ser dividido em GEP educação comunitária e GEP educação pública, ambos voltados para a construção de uma pedagogia libertária e de uma sociedade justa, o que só pode ser alcançado com a organização popular e o fim do capitalismo.

Como nos organizamos?

Nos organizamos como um grupo político através da autogestão com uma perspectiva libertária de educação e sociedade, não acreditamos que estas duas poderão ou serão transformadas por ONGs, empresas privadas ou mesmo o Estado. Atuamos com educação popular justamente por estarmos insatisfeitos com estes espaços, tanto por promoverem políticas conservadoras, autoritárias, como por sufocarem “as vozes” das pessoas, sobretudo da classe trabalhadora e das minorias, tornando-as meras “representadas” em eleições e em um modelo de democracia que rouba o poder de decisão direto das pessoas sobre as suas próprias vidas. Por isso, decidimos nos organizar de um modo diferente do Estado, privilegiando a igualdade e a participação de todas e todos, com decisões tiradas em assembléias onde todo membro do grupo tem direito a voz e voto. Para nós, essa forma de organização sem hierarquia e sem “representantes”, que nomeamos de autogestão, não é apenas um modo de organização de um grupo, mas uma proposta de sociedade, de mundo.

O que entendemos por educação popular?

Educação popular, para nós, é uma educação criada pelo povo e que está ao seu serviço. Uma educação que reconta a nossa história, que se opõe a escola burguesa e sua forma, seu modo de conceber a educação, seu espaço escolar, seus conteúdos, seus métodos de ensino e os fins de sua atividade pedagógica. Uma experiência de educação que a partir de uma pedagogia da autonomia valoriza a criação, a livre-iniciativa, os saberes criados no cotidiano e que estão fora da academia, a troca e a cooperação, a crítica e a liberdade. Uma educação cujo foco não se centra nem na figura do professor, nem na do aluno, mas na relação entre as pessoas, na coletividade, naquilo que é comum. Um modo de aprender e ensinar onde a liberdade individual só pode se realizar e se ampliar com a liberdade do outro e de todos, por isso a importância que atribui as realizações coletivas e a luta pela emancipação do povo. É uma educação contra o racismo, o machismo, a homofobia, o preconceito e a exploração de classe, a discriminação religiosa; educação contra a escola burguesa, contra os seus dispositivos disciplinares e de controle – contra a disposição das carteiras em salas de aula, das próprias salas de aula, tal como existem; contra o exercício de autoridade do professor sobre o aluno -, contra a exploração dos profissionais da educação. Uma educação da negação do que há, mas também uma educação afirmativa propositiva, pela coletivização dos espaços, pela horizontalidade em todos os processos deliberativos, pela autonomia, pela liberdade individual que se submete à liberdade coletiva, por uma pedagogia voltada para um “cuidado de si”, para uma relação livre consigo e com outro. Uma educação que busca construir o poder popular e a autonomia em oposição ao capitalismo, pois é nele e por ele que estas violências existem.

De onde estamos agora.

Atualmente, seguimos cada vez mais fortes com as nossas duas frentes: frente comunitária no Morro da Providência e frente educação pública. Na primeira, temos conseguido que cada vez mais educandos se auto-organizem e participem organicamente do grupo, inclusive como educadores. Na segunda, temos participado ativamente das greves de professores e alunos. Se, por um lado o grupo cresce, também temos sofrido com a repressão. Pela participação ativa que tivemos nas manifestações contra a Copa do Mundo, que só veio explorar mais as trabalhadoras e trabalhadores, começamos a ser brutalmente perseguidos. Além da violência policial sofrida nas ruas, temos 4 professores do nosso Grupo, de um total de 23 militantes perseguidos, que já foram presos e seguem sendo processados pelo Estado. Mas, isso não nos tira a vontade de lutar, pelo contrário, só nos enche de raiva e sede de justiça. Nos recusamos a abandonar nossa luta e seguiremos nas ruas e nas favelas com nossos trabalhos.

Presentación del Grupo de Educação Popular (GEP)

¿Quiénes somos?

 

Un grupo de personas activas en el movimiento popular que se unieron a principios de 2008 articulando actividades autónomas de educación popular para fortalecer la lucha en las comunidades de Río de Janeiro, Brasil. Empezamos a trabajar en el Morro da Providencia, favela (comunidad pobre) ubicada justo a lado de las ocupaciones autónomas sin hogar en el centro de Río de Janeiro. Al pensar en un trabajo con la educación popular en el Morro da Providencia, nuestra intención es de aproximar la favela y ocupaciones para ayudar a construir espacios de poder popular en la zona centro de la ciudad. Así, en junio de 2008, el mes en que fueron asesinados tres jóvenes de la Providencia después de haber sido secuestrados y entregados por los soldados del ejército a narcotraficantes, comenzamos nuestro primer trabajo con la educación popular: una preparatoria para alumnas y alumnos pobres para hacer concursos públicos, con clases de portugues y matemática. En la primera actividad fuera de la clase de aula que el GEP organizó en Providencia, la policía irrumpió con un tiroteo que resulto en una compa de la comunidad herida. La violencia cotidiana, sin embargo, no disminuyó la voluntad del grupo, que ha pasado desde ese día a luchar contra la violencia policial en el Morro da Providencia. En 2009 abrimos la primera clase de una preparatória para las y los jovenes de la comunidad que querian ingresar en la universidad, llamada Machado de Assis, nombre elegido por estudiantes y profesores en asamblea. En 2011, iniciamos un proyecto de alfabetización para jóvenes, adultas y adultos y también empezamos a estar cada vez más activos en la lucha contra los desalojos. Los tres niveles de gobierno planeaban desalojar a 700 familias y gracias a la movilización realizadas a través de asambleas y manifestaciones, unas 600 familias lograron resistir y permanecer en sus casas.

 

Por tener muchos profesores y maestros de educación básica dentro del grupo, sobre todo en las escuelas públicas, y creyendo que el debate sobre la educación libertaria también debe llegar a las escuelas, se decidió en 2012 crear otro frente de trabajo dentro de la GEP, que ahora se divide en: GEP Educación Comunitaria y GEP Educación Pública. Los dos frentes buscan la construcción de una pedagogía libertaria y una sociedad justa, que sólo se puede lograr con la organización popular y el fin del capitalismo.

 

 

Cómo nos organizamos?

 

Nos organizamos como grupo político a través de la autogestión con una perspectiva libertaria de la educación y la sociedad, no creemos que estos dos puedan o sean transformados por las organizaciones no gubernamentales, empresas privadas, tampoco el estado. Trabajamos con la educación popular porque no estamos satisfechos con estos espacios, tanto para la promoción de políticas conservadoras, autoritarias, como por sofocar “las voces” de las personas, sobre todo a la clase trabajadora y de las minorías, buscandolos “representar” en las elecciones y un modelo de democracia que le roba el poder de decisión del pueblo sobre sus propias vidas. Así que decidimos organizar de manera diferente el estado, centrándose en la igualdad y la participación de todas las personas, con las decisiones adoptadas en las reuniones donde cada miembro del grupo tiene derecho a voz y voto. Para nosotros, esta forma de organización sin jerarquía y sin “representantes”, que nombramos autogestión, no es sólo un modo de organización de un grupo, sino una propuesta de la sociedad en el mundo.

 

 

Lo que entendemos por educación popular?

 

La educación popular, para nosotros, es una educación creada por el pueblo y que está a su servicio. Una educación que narra nuestra historia, que se opone a de la escuela burguesa por su forma, su manera de concebir la educación, su entorno escolar, su contenido, sus métodos de enseñanza y los efectos de su actividad pedagógica. Una experiencia educativa desde una pedagogía de la creación de valor a la autonomía, del conocimiento generado en la vida cotidiana y que están fuera de la academia, el intercambio y la cooperación, la crítica y la libertad. Una educación cuyo enfoque no se centra en la figura del maestro, ni del estudiante, pero en la relación entre las personas en la comunidad, en lo que es común. Una de las formas de aprendizaje y enseñanza, donde la libertad individual sólo se puede lograr y ampliar con la libertad del otro y del todo. Es una educación contra el racismo, el sexismo, la homofobia, los prejuicios, la explotación de clase, la discriminación religiosa; educación contra la escuela burguesa, en contra de sus dispositivos y del control disciplinario. Una negación de la educación burguesa, pero también una educación propositiva, por la colectivización de los espacios, la horizontalidad en todos los procesos de toma de decisiones, la autonomía, la libertad individual unida a la libertad colectiva, por una pedagogía centrada para un “cuidado de nosotros”, para una relación libre consigo mismo y con los demás. Una educación que busca construir la autonomía de las personas en oposición al capitalismo.

 

 

Desde donde estamos ahora.

 

Actualmente, seguimos cada vez más fuerte con nuestros dos frentes: GEP Comunitário e GEP Educação Pública. En la primera, hemos logrado cada vez más que estudiantes se auto-organicen por los problemas de su comunidad y participen orgánicamente en el grupo, incluyendo como educadores. En la segunda, hemos participado activamente en las huelgas de maestros y estudiantes, buscando un sindicato autónomo y vinculado a las cuestiones de las comunidades. Si, por un lado, el grupo crece, también hemos sufrido la represión. Por activa participación que tuvimos en las manifestaciones contra la Copa del Mundo, que sólo vino a explotar más trabajadores y trabajadoras, comenzamos a ser perseguidos brutalmente. Además de la violencia policial que sufrimos en las calles, tenemos 4 maestros de nuestro grupo, de un total de 23 militantes perseguidos, que han sido detenidos y continúan siendo procesados por el Estado. Pero esto no nos resta en la voluntad de lucha, al contrario, sólo nos llena de rabia y sed de justicia. Nos negamos a abandonar nuestra lucha y seguimos en las calles y favelas con nuestro trabajo y buscando nos fortalecer con otros grupos autónomos.

 

 

Rio de Janeiro, Brasil,

 

Grupo de Educação Popular (GEP).