Todo apoio as mulheres que lutam! Carta de acolhimento a compa Ana Cristina Alves.


Todo apoio as mulheres que lutam! Carta de acolhimento a compa Ana Cristina Alves.

Um dos pressupostos fundamentais na militância de esquerda é a solidariedade entre xs companheirxs. Nós, do Grupo de Educação Popular, na ocasião em que uma de nossas companheiras, Ana Cristina Alves, sofreu perseguições politicas por parte do Estado enquanto professora grevista em 2014, não tivemos a atenção e sensibilidade de acolhê-la nesse momento tão difícil em vários âmbitos de sua vida. E quando a esta perseguição se acresceu o processo de difamação feito por seu ex-companheiro, militante em diversos espaços comuns à ela, Renato, permanecemos a reproduzir justamente a postura de caráter mais individualista que tanto condenamos. Educadores que somos, naturalizamos a lógica de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, ignorando o caráter político e coletivo de sua opressão, fato inclusive já assumido e reconhecido por aquele. Como consequência, essa difamação transbordou para muito além dos limites do Gep, afetando negativamente a atuação política da mesma, fato que se continuássemos a permitir, estaríamos colaborando para mais um afastamento velado de mulheres nos espaços políticos.

Escrevemos justamente esta carta com o intuito de alertarmos as companheiras de tantos outros coletivos para este tipo de tratamento de suas denúncias ou pedidos de ajuda, bastante comum em diferentes movimentos sociais acostumados a alegar que sempre existe um assunto mais importante a ser tratado, mas também para mostrar o quanto é fundamental que na luta pelo poder popular nós reconheçamos nossos equívocos, façamos nossas autocríticas sinceramente a fim de que possamos avançar desconstruindo nossos privilégios e afirmando a diversidade presente nela. Nesse sentido, cada militante do Gep reafirma o seu compromisso na construção de mecanismos de apoio mútuo e acolhimento entre nós, elementos fundamentais a militância, e salienta sobretudo que a participação da companheira Ana é de extrema importância para o coletivo e para a luta de forma geral. Confiamos plenamente em você e sentimos muito mesmo por todo o ocorrido!

Quantas mulheres teriam desistido da luta, afinal, por terem suas reivindicações invisibilizadas? Quantas mulheres já teriam passado por situações muito semelhantes e sobre elas teria recaído o estereótipo de bruxa, louca, ou de má militante? Que todxs nós repensemos nossas práticas e nos apoiemos verdadeiramente no que diz respeito tanto as questões de ordem classista, quanto de gênero e racial, dentre outras. Pois somente assim, poderemos enfim, resistir e construir um mundo melhor, um mundo sem medo, e efetivamente solidário.

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