SOLIDARIEDADE ÀS FAVELAS DO RIO DE JANEIRO: CONTRA TODAS AS FACES DO GENOCÍDIO DO POVO POBRE E NEGRO


Nós, Mães e Familiares de Vítimas do Estado Brasileiro em São Paulo, e a Associação Amparar de Familiares de Presos e Presas, declaramos a nossa Solidariedade e a nossa Extrema Preocupação com a situação dos guerreiros e guerreiras moradoras de favelas e comunidades atingidas pelo descaso do Poder Público no Rio de Janeiro. O excesso de chuvas apenas tem escancarado e agravado uma situação-limite que já é vivida cotidianamente pelos moradores das periferias de todo Brasil.

Assim como aconteceu em São Paulo, no início do ano, – principalmente no Jardim Pantanal  do Extremo Leste e toda região do Grajaú no Extremo Sul -, assim como tem acontecido nestes dias na Baixada Santista – deslizamento no Morro do Tetéu  atingindo pelo menos 4 casas, na Vila Pelé e outras comunidades -, e assim como acontece no cotidiano da periferia a cada situação de dificuldade: contextos como estes apenas escancaram o descaso do Poder Público com a vida das pessoas mais pobres e negras da nossa sociedade, que não têm direito à Moradia Digna, a Serviços Básicos de Qualidade, (Saúde, Saneamento, Educação etc), à Assistência e Defesa Civil quando necessitam ontra as reais violências e tragédias anunciadas. Diferente da pequena camada rica que é sempre priorizada nestas questões, e complemamente assegurada e privilegiada.

Como se não bastasse todo o sofrimento da maioria da população do Rio de Janeiro, recebemos notícias revoltantes, de nossos companheiros que vivem em Acari, que o Poder Público teve a cara-de-pau e o cinismo de realizar  em meio a tudo isso, mais uma Operação Militar desconsiderando toda dor e sofrimento generalizado que a cidade já viem passando. O resultado deste absurdo não poderia ser diferente do costumeiro, e pelo menos duas pessoas foram baleadas na comunidade: uma criança de 2 anos de idade atingida por estilhaços e uma funcionária da creche onde ela estudava, ferida mais gravemente. Casos que só vêm a se somar com situações como a do Sr. Peixoto da Silva, assassinado covardemente em Acari há cerca de 90 dias, e até aqui sem qualquer satisfação dos responsáveis.

Cabe a nós, moradores da periferia, dos movimentos sociais e demais organizações, se solidarizar integralmente e urgentemente com o povo pobre e negro do Rio de Janeiro, que neste momento precisa mais do que nunca de nossa força. As informações que temos é que tem faltado de tudo em vários morros e favelas, principalmente Água Potável  – por incrível que pareça! -, Leite em Pó para as crianças, Alimentos Não-Perecíveis, Materiais de Primeiros-Socorros e Primeiras-Necessidades, bem como Roupas e Cobertores.

Nós, Mães de Maio e Associação Amparar, acabamos de voltar do Rio de Janeiro, na semana passada, para participar do aniversário de 5 anos da Chacina da Baixada Fluminense, e da homenagem que o Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro fez ao guerreiro José Luís, pai de Maicon, no emblemático dia 31 de Março. Maicon fora assassinado há 14 anos, –  no triste dia 17 de abril de 1996 – e até aqui nada foi feito pelo Estado no sentido da Verdade e da Justiça. Nosso sofrimento aqui no estado de São Paulo, diante da tragédia dos últimos dias – tragédia anunciada repetimos – ,fica ainda maior sabendo que há poucos dias estávamos junto nestas comunidades hoje destroçadas pelo descaso.

Mais uma vez, fica absolutamente explícito pra nós que a periferia e as favelas de todo o país vivem um verdadeiro Estado de Sítio Permanente, que a chamada Democratização não melhorou em nada para nós, em muitos sentidos agravando a Verdadeira Ditadura Continuada que o povo pobre e negro do país historicamente viveu, vive e eles querem que nós continuemos vivendo. É preciso agir efetivamente e coletivamente para reforçar a solidariedade concreta em relação a estas situações: neste momento a Rede de Familiares e de Comunidades do Rio de Janeiro precisa de todo apoio, de doações, de reforço nas denúncias e nas cobranças do Poder Público.

Portanto, daqui de São Paulo, é parte fundamental da construção do 13 de Maio e do triste aniversário de 4 anos dos Crimes de Maio de 2006, a ATITUDE CONCRETA de solidariedade com nossos guerreiros e guerreiras cariocas. Assim como nós temos certeza que poderemos contar, como sempre, com o apoio das comunidades do Rio de Janeiro nas nossas importantes lutas contra as situações trágica vividas aqui, as investigações e a federalização de mais este Crime promovido pelo Estado contra a população pobre e negra.

CONTRA O GENOCÍDIO DO POVO POBRE E NEGRO

EM TODAS AS SUAS DIMENSÕES!

CONTRA A FAXINA ÉTNICA PROMOVIDA PELO ESTADO E PELAS ELITES,

ONTEM E HOJE!

CONTRA A CRIMINALIZAÇÃO E O DESCASO EM RELAÇÃO À POPULAÇÃO POBRE E NEGRA E AOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

“PERIFERIA É PERIFERIA EM QUALQUER LUGAR”: PRECISAMOS DE UM VERDADEIRO PODER POPULAR!

MÃES DE MAIO

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